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Revistas online, bibliografias e internet

Para quem procura artigos sobre história antiga em português sobre a História Antiga, a revista Aletheia é uma revista online com coisas interessantes, vale a pena dar uma olhada aqui. Essa reviata permanece sendo atualizada: um problema sério com publicações na internet é que nem sempre sua publicação é regular. Existem provedores que permitem criar sites de graça, mas existe uma capacidade máxima de memória que pode ser armazenada, e raramente estes sites são permanentes. Eu não sei se esse é o caso do excelente boletim do CPA, da Unicamp, que também tem artigos muito interessantes (e úteis), mas que não é atualizada há algum tempo. Eu espero que isso não aconteça com a Mare Nostrum, mantida pelo Laboratório de Estudos sobre o império Romano e Mediterrâneo Antigo, da USP. A revista tem um caráter ensaístico, e só o primeiro número saiu até agora.

O Scielo, um portal de revistas acadêmicas de acesso gratuito do qual o Brasil faz parte, tem uma coleção respeitável de revistas brasileiras na área de ciências humanas (aqui). O Scielo também tem publicações de outros países, em outras línguas, aqui. Uma coisa para a qual precisamos lutar é para integrar estas publicações nos catálogos de nossas bibliotecas. Isso existe em Heidelberg e Oxford, por exemplo, mas não na UNIFESP.

Para quem lê outras línguas, dois sites muito úteis são o Ancient World Online, que frequentemente coloca listas de revistas gratuitas, e o Becoming a Classics Librarian, mantido por um bibliotecário especializado em estudos clássicos, e muito atualizado.

Para quem tem interesse em procurar bibliografias mais específicas sobre um determinado assunto, o Ancient World Open Libraries é um bom ponto de partida.

Fontes para o estudo da História Antiga (em espanhol)

O Professor Francisco Marshall alerta, através da lista de História Antiga, que foi criado um site dedicado à História da Grécia e de Roma, ligado ao Instituto de História da Pontifícia Católica de Valparaíso. O site (aqui) parece bem legal, e tem muitas fontes traduzidas. Vale a pena conferir.

Periódicos franceses online

Um site que tem sido muito útil para mim é o excepcional Persée, um portal de periódicos franceses, gratuito. Entre diversos acepipes, tem as revistas da Escola Francesa de Roma, de 1881 até 2000 (números mais recentes só são acessíveis através da editora italiana que publica os Mélanges). Uma coisa que eles adicionaram recentemente foram vários livros da EFR, também de graça. Muito popular entre antiquistas brasileiros por ser mais ligada à Universidade de Besançon, e portanto mais ligada a uma tradição marxista, a Dialogues d’Histoire Ancienne está lá até 2005, o que não é mal. Outros portais úteis para periódicos franceses são o HAL, Revues.org e especialmente o portal da Biblioteca Nacional Francesa, que requer um pouco de paciência justamente por causa da quantidade de material que você encontra lá.

Ancient World Online

Um site excepcionalmente útil para os antiquistas é The Ancient World Online. Uma coisa extremamente útil: a lista de jornais open access online – com mais de 800 títulos!!!

Imperadores Romanos

Volto de um longo período de inatividade, e por um bom motivo: Adrian Murdoch, autor do excelente Bread and Circuses, iniciou uma série de podcasts curtíssimos (dois minutos) sobre os imperadores romanos. Será um imperador por semana, sempre às segundas. O primeiro é Augusto.

Destruindo Pompéia?

Um problema sério que se encontra quando se tenta seguir a arqueologia romana ou a política cultural italiana de maneira mais ampla pela mídia é que muito do que lemos é influenciado demais por opiniões e interesses políticos. Alguns dias atrás, o Rogueclassicism postou três reportagens sobre o descaso das autoridades italianas com as ruínas romanas. Os exemplos foram os mais clássicos: a domus aurea de Nero, o Coliseu e finalmente, Pompéia.

Hoje, por coincidência, vi um post de Joanne Berry no Blogging Pompeii, respondendo ao artigo sobre Pompéia. O que ela observa é que muitas das críticas são baseadas em falta de informação mesmo, além de uma profunda incompreensão da complexidade de se gerir um sítio do tamanho de uma pequena cidade. As pessoas que trabalham ali não são incompetentes, e muitas são apaixonadas pelo sítio. Existe falta de recursos, mas essa é uma outra história. É irresistível escrever mais um artigo no jornal atacando o filistinismo berlusconiano ou o quanto os italianos são imerecedores do patrimônio arqueológico que possuem.

Eu me lembro quando eu costumava levar turistas a lugares como o Palatino em Roma ou Ostia, e como eles sempre faziam comentários sobre o estado das ruínas. Eu procurava mostrar a eles que a degradação física de uma ruína é um processo natural, e que preservar todo o patrimônio arqueológico italiano exigiria um orçamento de duas Alemanhas, o que obviamente nem Berlusconi pode ser culpado por não ter. Muitas vezes casas e edifícios públicos são fechados para visitantes, porque não há dinheiro para mantê-los abertos: é necessário ter as condições básicas de segurança, ter pessoal da vigilância por perto, etc. Isso está longe do ideal, mas precisamos nos lembrar que o serviço arqueológico italiano tem que competir por recursos com o sistema de saúde, a corrupção de governo, as escolas públicas, as amantes do Berlusconi… é a vida. A única solução na qual consigo pensar é os arqueólogos enterrarem aquilo que eles mesmos escavaram. Margareta Steinby escavou o santuário de Juturna no Forum Romano, e foi exatamente isso o que ela fez depois de os achados terem sido fotografados, analisados e catalogados. Não se trata de enterrar coisas como estatuetas, pedaços de inscrições ou cerâmica, mas sim partes de paredes e pavimentos.

História Antiga em vídeo: o Moviola FM

Uma das grandes virtudes do uso do vídeo em sala de aula é que isso permite explorar diferentes recursos no ensino de história antiga. Isso pode ser um problema quando o professor tenta ensinar a escravidão romana passando Gladiador, do Ridley Scott; ou ensinar os poemas homéricos com Brad Pitt no papel de Aquiles em Tróia. Uma coisa que poucos historiadores fazem, até por desconhecimento técnico (meu caso) é produzir seus próprios vídeos.

Um bom recurso é o blog Moviola FM, produzido pelo Francisco Marshall, da UFRGS. Alguns vídeos ali não são de História Antiga, mas são excelentes exemplos de como combinar música (por exemplo, o uso da obra de Eleni Karaindrou, uma arqueóloga e compositora), diferentes tipos de documentos históricos além das próprias images filmadas in situ. Dois vídeos especialmente importantes para os interesses do Antiguidades Romana são Freud Colecionista, sobre a espetacular coleção de antiguidades do Freud (que já esteve no Brasil) e Sendas do Paganismo.