Arquivo da categoria: Aulas

História e Estudos Visuais

No dia 10/11, quinta-feira, o professor Ulpiano Bezerra de Meneses irá apresentar a palestra História e Estudos Visuais, no Seminário de História da UNIFESP. A palestra será realizada às 18.00, na sala 8 do Campus Guarulhos.

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Peter Brown e a Antiguidade Tardia

Também estão disponíveis online os textos de apoio para o seminário sobre o livro de Peter Brown, O Fim do Mundo Clássico. Os textos são o do Arnaldo Momigliano, sobre Cristianismo e o fim do império romano (aqui), e o do Aldo Schiavone, A História Rompida.

Também disponível online é o artigo do Julio Cesar de Magalhães, sobre o conceito de Antiguidade Tardia e as cidades da África do Norte (aqui).

Arqueologia e História antiga

Já estão online os textos para o seminário número 5, dedicado a dois estudos de caso sobre as relações entre arqueologia e história antiga. O texto base 1, do Yvon Thebert sobre arquitetura doméstica, publicado na História da Vida Privada vol. 1, é facil de encontrar em qualquer biblioteca. Como textos de apoio, estão disponíveis um texto clássico do Martin Frederiksen, sobre Cidades e Habitações (aqui), um texto do Pedro Paulo Funari sobre como os arqueólogos produzem conhecimento (aqui) e finalmente um artigo do Richard Hingley sobre unidade e diversidade culturais no império romano (aqui).

O segundo texto base é o do François Lissarrague, no História das Mulheres volume 1. Os textos de apoio são uma resenha do Marcos Alvito de Souza, do livro “A cidade das imagens” e um artigo-resenha do Marcelo Rede sobre Iconografia e Antiguidade Grega.

Vernant, Vidal-Naquet, e a Escola de Paris

No dia 14 de Novembro o tema do seminário será a assim chamada Escola de Paris, e os textos para o seminário também já estão online. O texto do vernant é um capítulo do Mito e Pensamento entre os Gregos, que por ser muito fácil de encontrar em bibliotecas não foi colocado online. Mas o outro texto base, dois capítulos do famoso Caçador Negro do VidalNaquet, estão aqui (em espanhol). COmo material de apoio, disponibilizei parte do livro de Ken Dowden, sobre Os Usos da Mitologia Grega (aqui), um capítulo de A Invenção da Mitologia Grega, do Marcel Detienne (aqui) e, finalmente, um artigo do Fábio Joly sobre o próprio Vernant (aqui).

Moses Finley e a Economia Antiga

Já coloquei online o material a ser utilizado para o seminário de Introdução à História Antiga, sobre Moses Finley (dia 07 de Novembro). Estão lá os capítulos 1, 5 e 6 de A Economia Antiga (em espanhol). Também coloquei textos de apoio: um artigo influente do próprio Finley sobre a idéia de Cidade Antiga, um capítulo historiográfico do livro do Michel Austin e Pierre Vidal-Naquet, Economia e Sociedade na Grécia Antiga (aqui) e, finalmente, o link para um artigo do Miguel Palmeira sobre a obra do Finley.

FIlósofos e antiquários

Eu me formei lendo trabalhos de autores  e ouvindo professores tratando todo trabalho sem valor como “mero antiquarianismo”.

Esta semana no nosso curso nós discutimos a formação da História Antiga como uma ciência, como um campo de saber/corpo de conhecimentos sobre um passado específico, e nesse processo discutimos o papel dos antiquários. Os antiquários eram aqueles sujeitos que, especialmente entre os séculos XV e XVIII, se dedicaram a coletar, estudar, analisar e publicar todo tipo de objeto ou informação sobre a antiquigade greco-romana. A religião romana, as instituições políticas de uma cidade grega, moedas de um determinado imperador, etc, tudo era objeto da paixão e fervor dos antiquários.  Meu argumento, na aula, foi que eles cumpriram um papel essencial no surgimento da História Antiga: mais especificamente, a idéia que eu defendi é que no caso da História Antiga a disciplina não foi o produto de um projeto político ou ideológico definido, mas sim um campo de conhecimento que nasceu de um conjunto de textos e artefatos.

Isso não quer dizer, é claro, que não existisse de um “projeto” ou “programa” por trás dos interesses destes autores: o que eu quero dizer é que, enquanto no caso da História Medieval e Moderna e da História Eclesiástica, não houve uma instituição promovendo ou definindo o que deveriam ser estes estudos (no caso destes, haviam os Estados Nacionais e a Igreja). Existiam associações, academias, sociedades (os dilettanti ingleses, por exemplo), mas estes não tinham o caráter articulado e programático dos outros. Os antiquários desenvolveram um conjunto de métodos para identificar a informação (ou o artefato) legítimo, princípios para analisar o passado através de fontes, e (uma coisa muito forte entre os antiquistas) o ideal de que deve-se recolher todas as fontes existentes (sim, existe um certo fetichismo entre os historiadores da antiguidade).

Na querela intelectual entre os “antigos” e os “modernos”, os antiquários foram decididamente antigos, no debate a respeito do Pirronismo, foram eles que forneceram a melhor resposta aos críticos da História Antiga.  O que os antiquários não conheciam fazer era responder às grandes questões políticas e filosóficas colocadas pelo seu próprio tempo – na verdade, eles não estavam preocupados com isso. Isso é algo que caberia aos filósofos do XVIII, como Montesquieu, que usaram o passado greco-romano para responder aos problemas contemporâneos – nunca, no entanto, com a mesma precisão e erudição dos antiquários. Os antiquários não inventaram a História Antiga, mas sem eles ela não teria existido.

O que é a história antiga?

Essa foi a questão debatida na primeira aula do curso de Introdução, nesta segunda-feira passada. Uma coisa que me chama a atenção, sempre, é o fato de que a História Antiga é normalmente tomada como um período cronológico sem maiores problemas, quase natural. Isso obviamente não é verdade, e os historiadores estão cada vez mais atentos a isso. Esse foi o tema do recente colóquio do Laboratório de Estudos sobre o Império Romano (maiores informações, programa e links para os vídeos das conferências aqui).O melhor texto que eu conheço sobre o assunto é o do Norberto Guarinello, da USP, publicado na revista Politeia. O que o Norberto mostra são basicamente duas coisas: que a idéia de História Antiga é uma abstração e, enquanto tal não tem nada de natural; e que a História Antiga é uma abstração útil, uma ‘forma’ ou enquadramento que nos ajuda a dar sentido a um passado extremamente diverso e extenso geografica e cronologicamente.

Outro texto que foi muito útil foi uma palestra do Fergus Millar, “Tomando a Medida do Mundo Antigo” (aqui). A palestra foi proferida em um encontro da Classical Association em 1993, e é voltada para especialistas dos estudos clássicos. Mas Millar levanta uma série de questões de interesse mais geral, mostrando que o “mundo antigo” é ao mesmo tempo mais extenso e mais rico do que normalmente pensamos. Millar é a  favor de incorporarmos outras civilizações que não só a greco-romana em nossas narrativas e preocupações – e até mesmo em nossos programas de ensino. Ele fala mais da tradição judaico-cristã, mas a lógica dele pode ser extendida para além disso. Ele também chama a atenção para o impacto de disciplinas como a epigrafia e a papirologia sobre a definição dos limites do que o historiador da antiguidade pode estudar.