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Encontro de História Antiga: Integração no Mediterrâneo Antigo

O Laboratório de Estudos sobre o Império Romano e o Mediterrâneo Antigo, da USP (http://leir.vitis.uspnet.usp.br/), realizará do dia 30/11 ao dia 02/12 o seu IV Encontro, com o tema Processos de Integração no Mediterrâneo Antigo: Aceleração e Crise. O evento será realizado na USP, e maiores informações (inclusive a programação) podem ser encontradas aqui.

Arqueologia e História antiga

Já estão online os textos para o seminário número 5, dedicado a dois estudos de caso sobre as relações entre arqueologia e história antiga. O texto base 1, do Yvon Thebert sobre arquitetura doméstica, publicado na História da Vida Privada vol. 1, é facil de encontrar em qualquer biblioteca. Como textos de apoio, estão disponíveis um texto clássico do Martin Frederiksen, sobre Cidades e Habitações (aqui), um texto do Pedro Paulo Funari sobre como os arqueólogos produzem conhecimento (aqui) e finalmente um artigo do Richard Hingley sobre unidade e diversidade culturais no império romano (aqui).

O segundo texto base é o do François Lissarrague, no História das Mulheres volume 1. Os textos de apoio são uma resenha do Marcos Alvito de Souza, do livro “A cidade das imagens” e um artigo-resenha do Marcelo Rede sobre Iconografia e Antiguidade Grega.

Enquanto isso, no Amapá…

Estudantes encontram urnas Marajoaras de mais de mil anos durante uma aula da pós graduação.

410 – O saque de Roma

Este ano são completados 1600 anos desde que as tropas visigodas de Alarico tomaram a cidade de Roma. O saque de Roma marcou a história da cidade, assim como a formação do Ocidente. Nos dizeres de Jerônimo, a cidade que conquistou o mundo foi conquistada (ou coisa assim).

Dois anos atrás eu estava batendo papo com um amigo que trabalha no Instituto Arqueológico Alemão de Roma (autor de um livro excelente sobre identidades bárbaras e elites na Antiguidade Tardia), quando nos tocamos que seria interessante reunir especialistas para apresentar o que se sabe hoje sobre o saque: seu contexto, o evento em si, e suas consequências. Nossa questão era simples:  quais são os indícios para dizer que o saque foi tão importante? Arqueólogos frequentemente datam traços de destruição em Roma como sendo de 410, mas será que isso não é um raciocínio circular? 

Bom, como resposta a estas questões organizamos um colóquio que acontecerá em Roma, entre 4 e 6 de Novembro deste ano (Agosto, quando o saque aconteceu, é muito quente!). A programação já está praticamente fechada, e pode ser conferida aqui.

Existia uma racionalidade na economia romana?

O grande José Knust, do NIEP-PREK, fez um comentário muito interessante sobre o post A Integração da Economia Romana, abaixo. O José está estudando a questão da racionalidade econômica romana, e escreveu dois bons artigos sobre essa questão que estão disponíveis na Internet (no Scribd e na revista Tessituras). Eu comecei a escrever esse post como uma resposta ao comentário dele, mas achei a discussão tão interessante que resolvi trazê-la para essa página principal. A gente pode ir enriquecendo essa discussão, e se alguém quiser dar um pitaco (inclusive o José: aqui aceita-se tréplicas!), eu faço novos posts.

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Destruindo Pompéia?

Um problema sério que se encontra quando se tenta seguir a arqueologia romana ou a política cultural italiana de maneira mais ampla pela mídia é que muito do que lemos é influenciado demais por opiniões e interesses políticos. Alguns dias atrás, o Rogueclassicism postou três reportagens sobre o descaso das autoridades italianas com as ruínas romanas. Os exemplos foram os mais clássicos: a domus aurea de Nero, o Coliseu e finalmente, Pompéia.

Hoje, por coincidência, vi um post de Joanne Berry no Blogging Pompeii, respondendo ao artigo sobre Pompéia. O que ela observa é que muitas das críticas são baseadas em falta de informação mesmo, além de uma profunda incompreensão da complexidade de se gerir um sítio do tamanho de uma pequena cidade. As pessoas que trabalham ali não são incompetentes, e muitas são apaixonadas pelo sítio. Existe falta de recursos, mas essa é uma outra história. É irresistível escrever mais um artigo no jornal atacando o filistinismo berlusconiano ou o quanto os italianos são imerecedores do patrimônio arqueológico que possuem.

Eu me lembro quando eu costumava levar turistas a lugares como o Palatino em Roma ou Ostia, e como eles sempre faziam comentários sobre o estado das ruínas. Eu procurava mostrar a eles que a degradação física de uma ruína é um processo natural, e que preservar todo o patrimônio arqueológico italiano exigiria um orçamento de duas Alemanhas, o que obviamente nem Berlusconi pode ser culpado por não ter. Muitas vezes casas e edifícios públicos são fechados para visitantes, porque não há dinheiro para mantê-los abertos: é necessário ter as condições básicas de segurança, ter pessoal da vigilância por perto, etc. Isso está longe do ideal, mas precisamos nos lembrar que o serviço arqueológico italiano tem que competir por recursos com o sistema de saúde, a corrupção de governo, as escolas públicas, as amantes do Berlusconi… é a vida. A única solução na qual consigo pensar é os arqueólogos enterrarem aquilo que eles mesmos escavaram. Margareta Steinby escavou o santuário de Juturna no Forum Romano, e foi exatamente isso o que ela fez depois de os achados terem sido fotografados, analisados e catalogados. Não se trata de enterrar coisas como estatuetas, pedaços de inscrições ou cerâmica, mas sim partes de paredes e pavimentos.

História Antiga em vídeo: o Moviola FM

Uma das grandes virtudes do uso do vídeo em sala de aula é que isso permite explorar diferentes recursos no ensino de história antiga. Isso pode ser um problema quando o professor tenta ensinar a escravidão romana passando Gladiador, do Ridley Scott; ou ensinar os poemas homéricos com Brad Pitt no papel de Aquiles em Tróia. Uma coisa que poucos historiadores fazem, até por desconhecimento técnico (meu caso) é produzir seus próprios vídeos.

Um bom recurso é o blog Moviola FM, produzido pelo Francisco Marshall, da UFRGS. Alguns vídeos ali não são de História Antiga, mas são excelentes exemplos de como combinar música (por exemplo, o uso da obra de Eleni Karaindrou, uma arqueóloga e compositora), diferentes tipos de documentos históricos além das próprias images filmadas in situ. Dois vídeos especialmente importantes para os interesses do Antiguidades Romana são Freud Colecionista, sobre a espetacular coleção de antiguidades do Freud (que já esteve no Brasil) e Sendas do Paganismo.