Sacerdotes no mundo romano

Vai acontecer em Oxford, no dia 15 de Janeiro, o workshop Priests and prophets in the religious cultures of the ancient world. O programa parece excelente, e uma das grandes virtudes do encontro é a de não separar religiões pagãs (por falta de termo melhor) e o cristianismo.

Um tema que tem me fascinado cada vez mais é o da persistência de sacerdócios pagãos no mundo tardo-antigo, quando o império já estava se convertendo ao cristianismo. É o caso do Norte da África, onde estes sacerdotes parecem ter sido cristãos, mas ainda assim ocupando cargos ligados ao culto imperial – numa época em que os próprios imperadores eram cristãos. Existe um artigo genial do André Chastagnol e do Noel Duval, sobre estes sacerdotes, e a explicação deles é que estes cargos perderam seu conteúdo religioso, tornando-se meras posições de prestígio nas cidades da época. O problema é que esta explicação (que não está de todo errada, eu acho) deixa de considerar as transformações que estavam acontecendo na vida religiosa da época. O cristianismo é visto aí como um dado, e se romanos eram cristãos eles não podiam ser cristãos. Acontece é que as coisas não funcionam assim, diferentes religiões não são separadas por um cordão sanitário (apesar de o cristianismo e o judaismo tentarem fazer isso). Estas religiões estão em um permanente processo de reconstrução, e é nessa perspectiva que os sacerdócios pagãos devem ser vistos na antiguidade tardia.

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