Destruindo Pompéia?

Um problema sério que se encontra quando se tenta seguir a arqueologia romana ou a política cultural italiana de maneira mais ampla pela mídia é que muito do que lemos é influenciado demais por opiniões e interesses políticos. Alguns dias atrás, o Rogueclassicism postou três reportagens sobre o descaso das autoridades italianas com as ruínas romanas. Os exemplos foram os mais clássicos: a domus aurea de Nero, o Coliseu e finalmente, Pompéia.

Hoje, por coincidência, vi um post de Joanne Berry no Blogging Pompeii, respondendo ao artigo sobre Pompéia. O que ela observa é que muitas das críticas são baseadas em falta de informação mesmo, além de uma profunda incompreensão da complexidade de se gerir um sítio do tamanho de uma pequena cidade. As pessoas que trabalham ali não são incompetentes, e muitas são apaixonadas pelo sítio. Existe falta de recursos, mas essa é uma outra história. É irresistível escrever mais um artigo no jornal atacando o filistinismo berlusconiano ou o quanto os italianos são imerecedores do patrimônio arqueológico que possuem.

Eu me lembro quando eu costumava levar turistas a lugares como o Palatino em Roma ou Ostia, e como eles sempre faziam comentários sobre o estado das ruínas. Eu procurava mostrar a eles que a degradação física de uma ruína é um processo natural, e que preservar todo o patrimônio arqueológico italiano exigiria um orçamento de duas Alemanhas, o que obviamente nem Berlusconi pode ser culpado por não ter. Muitas vezes casas e edifícios públicos são fechados para visitantes, porque não há dinheiro para mantê-los abertos: é necessário ter as condições básicas de segurança, ter pessoal da vigilância por perto, etc. Isso está longe do ideal, mas precisamos nos lembrar que o serviço arqueológico italiano tem que competir por recursos com o sistema de saúde, a corrupção de governo, as escolas públicas, as amantes do Berlusconi… é a vida. A única solução na qual consigo pensar é os arqueólogos enterrarem aquilo que eles mesmos escavaram. Margareta Steinby escavou o santuário de Juturna no Forum Romano, e foi exatamente isso o que ela fez depois de os achados terem sido fotografados, analisados e catalogados. Não se trata de enterrar coisas como estatuetas, pedaços de inscrições ou cerâmica, mas sim partes de paredes e pavimentos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s