Roma na Antiguidade Tardia: Blogando o livro

Uma das idéias por trás de criar esse blog foi de fazer updates das pesquisas que estou fazendo. Eu faço isso de maneira intermitente, mas está na hora de começar a blogar sobre o livro que estou escrevendo. O livro é uma versão bastante modificada de minha tese de doutorado, sobre espaço urbano e poder aristocrático na Roma tardoantiga (284-535). A idéia da tese era bem simples: fazer uma história local da maior cidade do Mediterrâneo (do império) durante um período de mudanças bruscas. E que mudanças: no fina do século III a cidade começou a passar por tremendas transformações urbanísticas,  a mais espetacular de todas sendo a construção da muralha de Aureliano: 19 km cortando um espaço que até então havia sido densamente habitado. Muitas construções públicas e privadas foram demolidas, incorporadas, partes inteiras da cidade foram abandonadas.

Outras transformações foram ábruptas, mas igualmente impactantes: a cristianização da cidade e o declínio da presença imperial. Durante o século IV os imperadores no Ocidente viveram em lugares como Trier, Milão e (no início do século V) Ravenna. Mas no século V eles tenderam a passar cada vez mais tempo em Roma, que virou residência imperial mais uma vez (é o que mostrou Andrew Gillett, em um artigo publicado nos Papers of the British School at Rome, 2001). Mas essa presença não se compara ao que havia nos séculos do Alto Império, quando imperadores eram muito mais poderosos. A maior parte dos estudiosos se concentra em anaisar um destes dois processos: o declínio do poder imperial e a cristianização da cidade – o processo pelo qual igrejas viraram os mais importantes espaços sociais, e o bispo de Roma e seu clero tomaram o lugar da elite tradicional.

Na tese eu estava interessado em entender com um grupo que, apesar de não ser negligenciado (nem podia ser, dado que existem tantas fontes) é normalmente colocado a reboque destas transformações: a aristocracia senatorial. A elite romana era a mais poderosa do império, com conexões na corte, propriedades em todas as províncias, clientes, amigos, cargos, etc. Esse grupo era uma elite imperial no século IV, mas no decorrer do século V tornou-se uma elite local, à medida em que o império foi invadido e o “Ocidente” ficou reduzido à Itália. O que me interessou foi o processo de apropriação do espaço urbano a que eles submeteram Roma e sua popuação: espaços públicos foram privatizados, monumentos foram escolhidos para preservação, enquanto outros foram abandonados, e suas casas viraram espaços políticos-públicos de primeira grandeza. Esse processo entrou em crise no início do século VI, mais especificamente em 535, quando as tropas do imperador Bizantino Justiniano invadiram a Itália, iniciando uma guerra que botou a península no chão.

O primeiro capítulo, no qual estou traballhando agora (quase acabando) é dedicado ao envolvimento da aristocracia senatorial na construção civil. Em breve, falo disso aqui.

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Uma resposta para “Roma na Antiguidade Tardia: Blogando o livro

  1. João Paulo Rodrigues

    O livro vai sair em inglês ou vai ser publicado aqui no Brasil?

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