Casas aristocráticas na Roma do Baixo Império

Estou fazendo a revisão de um artigo escrito 3 anos atrás, sobre o impacto das casas da aristocracia romana no urbanismo da cidade tardoantiga.

Meu argumento é que no Alto Império, quando os imperadores moravam em Roma, havia um forte controle sobre os edifícios privados da elite senatorial: eles eram vistos como uma ameaça tanto à ordem política quando à imposição de uma ordem urbanística. Isso é demonstrado na narrativa de Tácito, quando este fala de perseguições políticas e confiscos de casas de senadores muito poderosos, mas especialmente na planta de mármore feita no início do século III d.C., uma espécie de mapa cadastral da cidade. Este fragmento, 11e, é um bom exemplo disso: ele mostra casas com atria construídas ao longo do vicus Patricius, uma rua no Esquilino.

No baixo império, a situação mudou muito: apesar de a legislação imperial tentar manter uma certa ordem, excavações em Roma mostram que casas de luxo começaram a invadir espaços públicos, bloqueando ruas e incorporando monumentos importantes.

O que aconteceu na região da via in Arcione, perto da Fontana di Trevi, é um bom exemplo: um grupo de edifícios do alto império foi incorporado a uma casa luxuosa, com uma enorme ábside que invadiu a rua, deixando claro para passantes quem é que mandava na região. Isso aconteceu por toda a cidade, e é uma boa indicação de como o espaço urbano romano se fragmentou à medida em que os imperadores perderam o controle sobre a cidade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s