Apagando inscrições no mundo grego

Lá no Current Epigraphy tem um breve relatório da palestra que Graham Oliver deu no Institute of Classical Studies de Londres no dia 14 de Janeiro, sobre a destruição de inscrições na Grécia Antiga. Não há necessidade de repetir o argumento do Oliver aqui, mas gostaria de chamar a atenção para o fato de que isso era comum no mundo antigo. De fato, esse é um problema para o qual epigrafistas começaram a prestar mais atenção recentemente: o re-uso de monumentos, suportes materiais para novas inscrições. Essa prática é uma fonte de informação crucial para interessados na história política e da cultura material no mundo antigo. Meu exemplo preferido, no entanto, não é epigráfico, mas literário: em sua oração 31, Dião Crisóstomo (final do século I d.C.) ataca os habitantes de Rodes por apagarem as inscrições que identificavam estátuas honoríficas expostas na cidade, para homenagearem outras pessoas. O resultado, como Dião nos informa, incluiu estátuas de mulheres identificadas como homens e estátuas de atletas identificadas como velhos.  Para quem tem interesse, a oração de Dião pode ser lida traduzida para o inglês no excelente Lacus Curtius. Para quem quiser mais, o discurso 37, também atribuído a Dião mas na verdade escrito por Favorino (seu aluno) também trata do mesmo tema.

Eu tratei do re-uso de bases de estátuas na Itália da Antiguidade Tardia em uma conferência sobre epigrafia tardoantiga. Esse texto ainda vai ser publicado, mas eu achei os textos listados abaixo muito úteis:

* H. Blanck, Wiederverwendung alter Statuen als Ehrendenkmäler bei Griechen und Römern (Rome, 1969); C. Löhr, “Die Statuenbasen im Amphiareon von Oropos”, Athenische Mitteilungen 108 (1993) 183-212; A. Jacquemin and D. Laroche, “Notes sur trois pilliers delphiques”, Bulletin de Correspondence Hellenique 106 (1982), 191-218;  J. Shear, “Reusing statues, rewriting inscriptions and bestowing honours in Roman Athens”, in Z. Newby and R. Leader-Newby, Art and Inscriptions in the Ancient World (Cambridge, 2007), 220-46. Sobre o discurso de Dião e os problemas que ele levanta para a epigrafia, C. Roueché, “Written display in the Late Antique and Byzantine City”, in E. Jeffreys (ed.), Proceedings of the 21st International Congress of Byzantine Studies, Hampshire, 2006, p. 243.

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