Arquivo do mês: abril 2009

Resenha

E lá na Bryn Mawr Classical Review, uma resenha de Walter Scheidel, Ian Morris, Richard P. Saller (ed.), The Cambridge Economic History of the Greco-Roman World. O livro parece excelente, e já estava na hora de a história econômica da antiguidade começar a organizar seus paradigmas pós-Finleynianos.

O ensino de “classics”: uma luz no fim do túnel?

Lá no Guardian, um interessante artigo de Charlotte Higgins, comentando algumas apresentações da Classical Association. O artigo é interessante, e os comentários no final também, mesmo quando contrários à idéia de que aprender grego e latim na escola é importante (alguns deles fazems sentido). Eu não acho que o estudo de línguas antigas deva ser obrigatório no Brasil, mas seria interessante, se crianças tivessem a oportunidade de saber algo mais sobre o assunto e até aprender um pouco. Por vários motivos: porque Tucídides e Tito Lívio são excelente literatura e história, porque isso ajudaria a combater nossa insularidade linguística, e porque Latim e Grego são tão úteis para o brasileiro quanto logaritmos e química orgânica.

Uma coisa que o artigo diz, no entanto, merece ser citado aqui:

“As the classics professor Richard Seaford pointed out at the Glasgow conference, in 2009 there are more university departments devoted to the subject, more students, more conferences and more productions of Greek plays in the UK than there were 100 years ago. This is not to mention the web, which has transformed access to ancient texts and academic materials. There is even a Roman villa in Second Life, where Latin is spoken. And there are, believe it or not, teachers who tweet students their Latin tests. ”

Pois é. E agora vêm aí versões para o cinema de A Odisséia, a conquista romana da Escócia, e é claro a refilmagem do clássico Clash of the Titans!

Lex de imperio vespasiani

Durante minha última visita a Roma, vi que o fragmento de bronze contendo a assim chamada Lex de imperio Vespasiani estava sendo restaurado. Isso é uma pena, porque na mesma época estava rolando a exposição dedicada a Vespasiano, da qual falei abaixo. Para quem é interessado em imperadores romanos, especialmente depois de Nero, esse é um objeto imperdível.

Esse fragmento de bronze foi encontrado em Roma no século XIV, por ninguém menos do que Cola de Rienzo, o romano que se insurgiu contra o controle dos papas e da aristocracia corrupta da cidade e se declarou tribuno da plebe até ser primeiro exilado e depois executado. O texto inscrito nesta tábua recorda a segunda parte de um decreto feito pelo Senatus populusque Romanus (o senado e o povo de Roma), conferindo alguns poderes ao novo imperador Vespasiano, e é datado de Dezembro de 69. O texto foi usado por Cola di Rienzo como um argumento para dizer que na antiguidade o povo de Roma era responsável pela escolha do imperador, e o poder deste vinha daquele – uma teoria interessante, porém errada.Lex de imperio Vespasiani

Existe um grande debate sobre este documento, infelizmente nada em português. Existe um verbete na wikipedia alemã, mas o artigo razoavelmente recente mais importante sobre o assunto ainda é o de Peter Brunt, no Journal of Roman Studies de 1977. Brunt argumentou que a Lex de imperio era um decreto do Senato (senatus consultum): estes eram normalmente uma resposta do senado a uma questão colocada por um magistrado, por exemplo o imperador. Inicialmente tinham valor apenas indicativo, mas normalmente eram considerados geradores de efeito jurídico. Segundo Brunt, mostrava que apesar de deterem enormes poderes os imperadores do século I d.C. ainda se esforçavam por manter a aparência de que governavam com o consenso do mundo político. O texto foi publicado em CIL VI, 930. O texto original pode ser encontrado, com uma tradução e curto comentário, aqui.

Piratas

Mary Beard comenta o problema da pirataria na costa da Somália, a partir de como os romanos lidaram com o assunto.

Termas Romanas em Banja Bansko, Macedônia

Lá no Bread and Circus, Adrian Murdoch menciona a excavação de termas romanas em Banja Bansko, na Macedônia. As termas cobriam uma área de pelo menos 623 metros quadrados, com 11 salas (ainda tem mais para excavar). O complexo é datavel entre o século III e IV d.C. (não mencionam o critério), e aproveitava uma fonte termal de água quente na área, o que não é tão comum. O site da municipalidade de Strumicka contém informações sobre o complexo, mas nada é tão impressionante quanto a foto abaixo, publicada por A. M. (ele não cita a fonte).

Termas romanas

O complexo termal é uma boa ilustração de como as cidades da área permaneceram ricas e ativas, mesmo depois dos saques da segunda metade do século III d.C.

Blog de arqueologia

Acabo de topar com o Chapéu, Chicote e Carbono 14, um blog brasileiro dedicado à arqueologia. Vale a pena dar uma conferida, tem um post muito interessante sobre crucificações romanas na Palestina e outro excelente sobre o palácio de Knossos, em Creta, e uma forma muito especial de fazer exercícios!

Barbarian science

Uma série espetacular de palestras do Greg Woolf na Universidade de Bristol: Barbarian Science: Ethnography and Imperialism in the Roman West. Serão quatro palestras, dedicadas à questão de como a conquista e administração do Ocidente afetou o conhecimento e o modo de conceber o mundo em Roma (ou mais especificamente entre os intelectuais e governantes romanos). Detalhes sobre as palestras (que serão publicadas pela Blackwell) podem ser encontrados aqui. Greg Woolf é um dos coordenadores de um projeto com o título Science and Empire in the Roman World, baseado na Universidade de Saint Andrews (site).