Lupercalia

Coarelli parte 2Coarelli parte 1

O ex-ministro da cultura e atual candidato a prefeito de Roma, Francesco Rutelli, voltou à carga, defendendo a identificação da famosa caverna da Lupercalia como sendo o ambiente com teto decorado em estuque e afrescos cuja descoberta foi anunciada no ano passado. Para quem não se lembra, eis aqui uma das reportagens sobre o assunto, com fotos. Essa identificação gerou enorme polêmica, especialmente porque seu maior defensor é o professor de arqueologia na universidade de Roma, Andrea Carandini. Carandini escreveu uma série de livros e artigos defendendo a idéia de que as lendas sobre a fundação da cidade possuem um núcleo de verdade, e que isso pode ser provado com a arqueologia. Seu trabalho não tem obtido grande repercussão fora da Itália, pois é baseado em uma lógica circular: as lendas me ajudam a interpretar os achados arqueológicos, e estes me ajudam a provar que as lendas são corretas.

 Bom, como todos sabem, a lenda diz que o fundador da cidade Rômulo e seu irmão Remo foram encontrados às margens do rio Tibre por uma loba, que os amamentou e protegeu até que eles foram encontrados por pastores que habitavam o Palatino. Durante esse período os bebês viveram em uma caverna, que mais tarde ficou conhecida como Lupercalia, e que se tornou um ponto sagrado na topografia da cidade. A situação é ainda mais complicada, porque Dionísio de Halicarnasso (cuja obra dá nome a este blog), afirma que a caverna era originalmente um local para o culto de Pan. Ou seja, estamos idando com mitos diferentes, nem sempre compatíveis, ligados a um mesmo lugar e a um mesmo festival, a Lupercalia, que ocorria todo dia 15 de Fevereiro.

Críticas à identificação do sítio (que pelas fotos parece muito mais um ninfeu, uma fonte monumental) como a Lupercalia podem ser encontradas no Rogue Classicism, mas a reação mais forte a essa “descoberta”, assim como à obra recente de Carandini, veio da pena de Filippo Coarelli, que publicou um artigo no La Repubblica no dia 15 de Fevereiro (o dia do festival!).  O artigo está no início deste post, e vale à pena ler. Não só para ver como um ego enorme ataca intelectualmente outro ego, mas também porque é um excelente exemplo de método topográfico, por um mestre na disciplina.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s