Arquivo do mês: janeiro 2008

Jashemski e os jardins de Pompéia

Mary Beard escreve um bom tributo a Wilhelmina Jashemski, a grande estudiosa dos jardins de Pompéia e do mundo romano em geral.

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E por falar no Coliseu…

O Journal of Roman Archaeology colocou online uma resenha do livro do Keith Hopkins e da Mary Beard, The Colosseum. A resenha foi escrita pela Lynne Lancaster, especialista em engenharia romana, e é um bom exemplo de uma resenha que fica muito melhor do que o livro.

Quando os gladiadores saem de férias

Estou escrevendo um artigo sobre festas e comemorações na Roma da Antiguidade Tardia. Meus últimos dias têm sido gastos lendo poemas épicos, leis, textos de autores cristãos, etc, mas o texto do qua mais gostei até agora foi o do Calendário de 354. Existem poucos calendários que sobrevivem da antiguidade, especialmente de Roma. Em Roma, que eu saiba, só tem um calendário de antes da reforma feita por Júlio César, os Fasti Antiates, atualmente no Museu Nazional Romano no Palazzo Massimo, perto da Termini. Da época do império existem uns poucos exemplares (todos foram publicados por Atilio Degrassi na série Inscriptiones Italiae, volume 13, fascículo 2, um calhamaço), muito incompletos.

 Mas no que se refere ao Baixo Império, no entanto, existem dois calendários, um compilado pelo gaulês Polêmio Sílvio, que compôs uma obra incluindo úm calendário anotado para o ano 449 (o Laterculus está aqui, mas esta edição não contém o calendário). O outro, ainda melhor, faz parte de um livro composto por Filócalo, que vivia em Roma, e dedicado a um certo Valentino, um cristão, em 354 (aqui, de novo sem o calendário, que pode ser visto com uma diagramação esquisita aqui).

É esse calendário que eu acho mais fascinante, porque apesar de composto por um cristão e dedicado a outro, ele recorda todos os festivais e jogos realizados em Roma em 354 d.C. São 177 dias! Mais interessante ainda é o fato de que o texto preserva informações sobre, por exemplo, dias de ludi (apresentações teatrais), circenses (corridas no circo) e munera (combates de gladiadores. Estes são os que me chamam mais a atenção, porque são apenas 10 dias no ano todo, todos eles em Dezembro.

Em 354 jogos gladiatoriais já estavam provavelmente declinando em importância, apesar de ainda serem populares: Santo Agostinho fala deles, reclamando, e existem diversas leis tentando regulá-los. O senador Símaco fala, em uma de suas cartas, de uma ocasião em que 29 bárbaros que ele havia comprado para os jogo organizados em honra ao seu filho em 401 se mataram (a carta 2.46). É fora de dúvida que o Coliseu não podia ficar 355 dias largado, sem ser usado. Mas é interessante que nenhuma fonte tardo-antiga explicite que outro uso podia ter o Anfiteatro naquele período.

Sobre a foto

A foto acima foi tirada em Maio de 2007, um pequeno trecho da Via Latina ao Sul de Roma.

Forma Urbis

A editora Quasar acaba de republicar a espetacular Forma Urbis Romae, de Rodolfo Lanciani. Esse é o livro fundamental para quaquer pessoa que tenha agum interesse na arqueologia de Roma, topografia, na história da cidade, ou que apenas goste de livros bonitos – e bota bonito nisso! A Forma Urbis é uma série de mapas da cidade, 46 no total, mostrando os edifícios e ruas da Roma contemporânea (de Lanciani, ou seja, de mais ou menos 1900), da Roma medieval e moderna, e todas as ruinas e descobertas arqueológicas feitas na cidade até então. Isso inclui inscrições, ruínas conhecidas apenas através de relatos e desenhos antigos ou medievais, etc. As plantas usam cores diversas para os diferentes períodos.

Assim, por exemplo, se você uma referência a uma inscrição encontrada no século XVIII durante obras no palácio dos Borghese, você pode identificar onde esse palácio fica, e logo onde a inscrição foi encontrada. Isso é ainda mais importante quando se pensa que muitos dos palácios, ruas e igrejas medievais e barrocos desapareceram durante as obras que fizeram de Roma uma cidade moderna (a assim chamada Roma Capitale umbertina, do fim do século XIX e início do XX). Para dar uma idéia de como esse material é valioso, aqui vão duas images da mesma área, onde na Antiguidade Petrônio Máximo construiu seu forum 9perto do Coliseu e da igreja de São Clemente), um mapa moderno e o do Lanciani.

Área na Forma Urbis      Mapa moderno

Roma e Pérsia na Antiguidade Tardia

Geoffrey Greatrex está anunciando a republicação do seu The Roman Eastern Frontier, sobre as guerras entre Roma e Pérsia na Antiguidade Tardia pela Routledge em Paperback, por meras 20 libras (não coloco o link porque a Routledge só anuncia a versão em Hardcover). Uma home page contém bibliografias suplementares e recursos online.

ps: o link para o livro, na Routledge, é este aqui, mas às vezes dá erro.

Antiguidades Romanas

A idéia deste blog surgiu durante minhas muita horas trancado na biblioteca, lendo coisas interessantes, encontrando historiadores e visitando monumentos e museus nas horas vagas. Ser um historiador da antiguidade brasileiro, morando em Roma, é viver um sonho assustador. Tudo o que se pode querer em termos de ver, tocar, ler, ouvir, está aqui. O problema é que aqui tem muito mais do que o que a gente quer. Esse blog é uma válvula de escape, onde posso ventilar idéias e impressões, sem ser excessivamente acadêmico. Para notícias pessoais, o link para minha página pessoal está aí do lado.

O nome do blog vem da obra do escritor grego Dionísio de Halicarnasso, que visitou Roma no início do reinado de Augusto (o primeiro imperador romano). Dionísio escreveu uma história de Roma desde a fundação da cidade até a época da primeira guerra Púnica, em 20 livros. Como todo bom historiador, sua obra é cheia de imprecisões, idéias malucas e de informações preciosas. Para ele, os mitos ligados às origens de Roma eram prova de que esta cidade era na verdade grega. Pois é. Dionísio tamém era um crítico literário, e maiores informações sobre ele podem ser encontradas no Oxford Classical Dictionary, por exemplo, ou na wikipedia.