Géza Alföldy (1935-2011)

Faleceu no último domingo, dia 6 de Novembro, o epigrafista e historiador húngaro Géza Alföldy, professor emérito na Universidade de Heidelberg. Alföldy foi um dos maiores estudiosos da epigrafia e da História Romana no século XX, tendo escrito obras influentes como sua História Social de Roma, publicada em português pela editora Presença de Portugal, e editado vários columes do Corpus Inscriptionum Latinarum (CIL). Alföldy foi, na opinião de todos os que o conheceram um gigante intelectual, que gostava de reunir estudantes ao seu redor para discutir documentos de forma exaustiva, mostrando todas as dificuldades na sua interpretação, todas as possibilidades e tudo o que eles ofereciam.

Alföldy faleceu de um ataque cardíaco durante uma visita à acrópole, em Atenas: uma maneira mais do que adequada para um estudioso tão importante.

Para quem quiser saber mais sobre ele, a página da Wikipedia (em inglês) é muito boa. O jornal espanhol El País publicou uma boa matéria sobre ele. O currículo dele está disponível na página do departamento de História Antiga de Heidelberg, assim como uma lista de suas publicações.

Encontro de História Antiga: Integração no Mediterrâneo Antigo

O Laboratório de Estudos sobre o Império Romano e o Mediterrâneo Antigo, da USP (http://leir.vitis.uspnet.usp.br/), realizará do dia 30/11 ao dia 02/12 o seu IV Encontro, com o tema Processos de Integração no Mediterrâneo Antigo: Aceleração e Crise. O evento será realizado na USP, e maiores informações (inclusive a programação) podem ser encontradas aqui.

História e Estudos Visuais

No dia 10/11, quinta-feira, o professor Ulpiano Bezerra de Meneses irá apresentar a palestra História e Estudos Visuais, no Seminário de História da UNIFESP. A palestra será realizada às 18.00, na sala 8 do Campus Guarulhos.

Revistas online, bibliografias e internet

Para quem procura artigos sobre história antiga em português sobre a História Antiga, a revista Aletheia é uma revista online com coisas interessantes, vale a pena dar uma olhada aqui. Essa reviata permanece sendo atualizada: um problema sério com publicações na internet é que nem sempre sua publicação é regular. Existem provedores que permitem criar sites de graça, mas existe uma capacidade máxima de memória que pode ser armazenada, e raramente estes sites são permanentes. Eu não sei se esse é o caso do excelente boletim do CPA, da Unicamp, que também tem artigos muito interessantes (e úteis), mas que não é atualizada há algum tempo. Eu espero que isso não aconteça com a Mare Nostrum, mantida pelo Laboratório de Estudos sobre o império Romano e Mediterrâneo Antigo, da USP. A revista tem um caráter ensaístico, e só o primeiro número saiu até agora.

O Scielo, um portal de revistas acadêmicas de acesso gratuito do qual o Brasil faz parte, tem uma coleção respeitável de revistas brasileiras na área de ciências humanas (aqui). O Scielo também tem publicações de outros países, em outras línguas, aqui. Uma coisa para a qual precisamos lutar é para integrar estas publicações nos catálogos de nossas bibliotecas. Isso existe em Heidelberg e Oxford, por exemplo, mas não na UNIFESP.

Para quem lê outras línguas, dois sites muito úteis são o Ancient World Online, que frequentemente coloca listas de revistas gratuitas, e o Becoming a Classics Librarian, mantido por um bibliotecário especializado em estudos clássicos, e muito atualizado.

Para quem tem interesse em procurar bibliografias mais específicas sobre um determinado assunto, o Ancient World Open Libraries é um bom ponto de partida.

Peter Brown e a Antiguidade Tardia

Também estão disponíveis online os textos de apoio para o seminário sobre o livro de Peter Brown, O Fim do Mundo Clássico. Os textos são o do Arnaldo Momigliano, sobre Cristianismo e o fim do império romano (aqui), e o do Aldo Schiavone, A História Rompida.

Também disponível online é o artigo do Julio Cesar de Magalhães, sobre o conceito de Antiguidade Tardia e as cidades da África do Norte (aqui).

Arqueologia e História antiga

Já estão online os textos para o seminário número 5, dedicado a dois estudos de caso sobre as relações entre arqueologia e história antiga. O texto base 1, do Yvon Thebert sobre arquitetura doméstica, publicado na História da Vida Privada vol. 1, é facil de encontrar em qualquer biblioteca. Como textos de apoio, estão disponíveis um texto clássico do Martin Frederiksen, sobre Cidades e Habitações (aqui), um texto do Pedro Paulo Funari sobre como os arqueólogos produzem conhecimento (aqui) e finalmente um artigo do Richard Hingley sobre unidade e diversidade culturais no império romano (aqui).

O segundo texto base é o do François Lissarrague, no História das Mulheres volume 1. Os textos de apoio são uma resenha do Marcos Alvito de Souza, do livro “A cidade das imagens” e um artigo-resenha do Marcelo Rede sobre Iconografia e Antiguidade Grega.

Vernant, Vidal-Naquet, e a Escola de Paris

No dia 14 de Novembro o tema do seminário será a assim chamada Escola de Paris, e os textos para o seminário também já estão online. O texto do vernant é um capítulo do Mito e Pensamento entre os Gregos, que por ser muito fácil de encontrar em bibliotecas não foi colocado online. Mas o outro texto base, dois capítulos do famoso Caçador Negro do VidalNaquet, estão aqui (em espanhol). COmo material de apoio, disponibilizei parte do livro de Ken Dowden, sobre Os Usos da Mitologia Grega (aqui), um capítulo de A Invenção da Mitologia Grega, do Marcel Detienne (aqui) e, finalmente, um artigo do Fábio Joly sobre o próprio Vernant (aqui).

Moses Finley e a Economia Antiga

Já coloquei online o material a ser utilizado para o seminário de Introdução à História Antiga, sobre Moses Finley (dia 07 de Novembro). Estão lá os capítulos 1, 5 e 6 de A Economia Antiga (em espanhol). Também coloquei textos de apoio: um artigo influente do próprio Finley sobre a idéia de Cidade Antiga, um capítulo historiográfico do livro do Michel Austin e Pierre Vidal-Naquet, Economia e Sociedade na Grécia Antiga (aqui) e, finalmente, o link para um artigo do Miguel Palmeira sobre a obra do Finley.

Epigrafia Romana em Roma

A EScola BRitânica de Roma está anunciando um curso de verão sobre epigrafia romana. O curso envolverá aulas teóricas, visitas a museus e sites (inclusive Ostia), e o desenvolvimento de um projeto individual. A professora é Abigail Graham, de Warwick, e a oportunidade é fantástica. Maiores detalhes aqui.

FIlósofos e antiquários

Eu me formei lendo trabalhos de autores  e ouvindo professores tratando todo trabalho sem valor como “mero antiquarianismo”.

Esta semana no nosso curso nós discutimos a formação da História Antiga como uma ciência, como um campo de saber/corpo de conhecimentos sobre um passado específico, e nesse processo discutimos o papel dos antiquários. Os antiquários eram aqueles sujeitos que, especialmente entre os séculos XV e XVIII, se dedicaram a coletar, estudar, analisar e publicar todo tipo de objeto ou informação sobre a antiquigade greco-romana. A religião romana, as instituições políticas de uma cidade grega, moedas de um determinado imperador, etc, tudo era objeto da paixão e fervor dos antiquários.  Meu argumento, na aula, foi que eles cumpriram um papel essencial no surgimento da História Antiga: mais especificamente, a idéia que eu defendi é que no caso da História Antiga a disciplina não foi o produto de um projeto político ou ideológico definido, mas sim um campo de conhecimento que nasceu de um conjunto de textos e artefatos.

Isso não quer dizer, é claro, que não existisse de um “projeto” ou “programa” por trás dos interesses destes autores: o que eu quero dizer é que, enquanto no caso da História Medieval e Moderna e da História Eclesiástica, não houve uma instituição promovendo ou definindo o que deveriam ser estes estudos (no caso destes, haviam os Estados Nacionais e a Igreja). Existiam associações, academias, sociedades (os dilettanti ingleses, por exemplo), mas estes não tinham o caráter articulado e programático dos outros. Os antiquários desenvolveram um conjunto de métodos para identificar a informação (ou o artefato) legítimo, princípios para analisar o passado através de fontes, e (uma coisa muito forte entre os antiquistas) o ideal de que deve-se recolher todas as fontes existentes (sim, existe um certo fetichismo entre os historiadores da antiguidade).

Na querela intelectual entre os “antigos” e os “modernos”, os antiquários foram decididamente antigos, no debate a respeito do Pirronismo, foram eles que forneceram a melhor resposta aos críticos da História Antiga.  O que os antiquários não conheciam fazer era responder às grandes questões políticas e filosóficas colocadas pelo seu próprio tempo – na verdade, eles não estavam preocupados com isso. Isso é algo que caberia aos filósofos do XVIII, como Montesquieu, que usaram o passado greco-romano para responder aos problemas contemporâneos – nunca, no entanto, com a mesma precisão e erudição dos antiquários. Os antiquários não inventaram a História Antiga, mas sem eles ela não teria existido.