Sexta-feira, 04 de Setembro começarei um curso na pós graduação em história social na USP. O responsável pelo curso é o Norberto Guarinello, que me convidou para dividir as aulas com ele. O tema é “Império Romano: economia, sociedade e cultura”. A idéia é discutir textos e fontes que ajudem a entender o que é que manteve o império romano unido, no que é que consistia a ordem imperial, e como ela mudou com o passar do tempo. Assim que o programa final estiver pronto, coloco mais novidades aqui.
O Império Romano: curso na USP
Arqueologia na Internet
1. O Guardian de hoje tem um caderno especial sobre a Arqueologia na Inglaterra.
2. Luke Lavan e Axel Gering reiniciaram as excavações em Ostia, e estão colocando notícias de seus trabalhos e descobertas no seu blog.
3. O Rogueclassicism tem um bom post com updates sobre os restos de uma estátua equestre em bronze encontrada na Alemanha, que os excavadores acreditam ter pertencido a Augusto.
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Jean-Michel Carrié no Brasil
Quem está fazendo um tour pelo Brasil neste momento é o Jean-Michel Carrié, historiador francês, professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris. Carrié é um dos maiores especialistas na Antiguidade Tardia da atualidade, e é famoso por seus estudos sobre papirologia, história econômica e social do período. Ele também é um dos criadores da L’Antiquité Tardive, uma das revistas mais importantes sobre o período, e co-autor de L’empire romain en mutation.
O programa das palestras de Carrié é:
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Para além dos cidadãos atenienses? A Política na Grécia Antiga
Este post é o primeiro de uma série que eu espero reúna breves artigos sobre a História Antiga em geral, e sobre a antiguidade ocidental em particular. Como a História Antiga é uma disciplina altamente especializada, nada melhor do que pedir a especialistas para escreverem sobre aquilo que eles conhecem. Seguindo esse espírito, convidei o Fabio Morales, mestre em História pela Universidade de São Paulo e membro do LEIR-USP. O mais legal é que ele topou participar, e me enviou esse texto que eu demorei muito a publicar (desde já deixo meus calorosos agradecimentos ao Fábio). A dissertação de mestrado do Fábio foi sobre a vida política na cidade de Atenas entre os séculos V e IV a.C., especialmente a questão da participação política. Esse é o tema que ele discute aqui, basta querer ler mais.
Ah sim, uma coisa: se alguém quiser citar esse artigo, por favor cite o autor e não deixe de indicar a fonte (o Antiguidades Romanas). O trabalho científico só é científico quando construído em cima de confiança mútua e respeito às fontes!
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Conferência: A(s) Cultura(s) Epigráfica(s) na Antiguidade Tardia
Nos últimos meses tenho trabalhado, junto com o Christian Witschel, na organização de um workshop que será realizado aqui em Heidelberg. O objetivo do encontro é reunir especialistas de diversos países (Hungria, Alemanha, Israel, Itália, Inglaterra e Brasil) para discutir o que chamamos de “cultura epigráfica” tardo-antiga. Ou seja, tomar a epigrafia como um aspecto da cultura material romana, e analisá-la como parte dessa cultura – e não, como epigrafistas faziam antigamente, restringindo-se a textos. Queremos, assim, recolocar as inscrições em seus contextos históricos (sociais, culturais, geográficos, religiosos, físicos, etc). O encontro acontecerá em Heidelberg, em 26 e 27 de Junho, e para encontrar mais detalhes (inclusive o programa) basta conferir abaixo.
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Catacumbas e basílica de São Sebastião na via Appia
Acabo de escrever um artigo sobre o envolvimento de aristocratas romanos na cristianização de Roma na Antiguidade Tardia. O argumento é simples: estudos da cristianização de Roma costumam se dedicar às ações de imperadores ou de membros da igreja. Minha idéia foi olhar o papel desempenhado por membros da elite local. Para isso, eu fiz três estudos de caso: a igreja de São Sebastião na via Appia (onde ficava o lugar chamado Catacumbas, que deu origem ao termo), a igreja de S. Estevão na via Latina, e a de São Pedro no Vaticano. Este post irá falar da Igreja de São Sebastião, na via Appia. Leia Mais…
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Dica de site: arte antiga em museus parisienses
Dica excelente que acabo de receber pela lista de e-mails do Grupo de Trabalho de História Antiga, da ANPUH: um site na wikimedia com fotografias excelentes de objetos de arte em diversos museus parisienses, do Louvre ao museu de Cluny. Vale a pena dar uma conferida, é ótimo para preparar palestras, aulas, trabalhos, e até mesmo para dar uma viajada.
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Resenha
E lá na Bryn Mawr Classical Review, uma resenha de Walter Scheidel, Ian Morris, Richard P. Saller (ed.), The Cambridge Economic History of the Greco-Roman World. O livro parece excelente, e já estava na hora de a história econômica da antiguidade começar a organizar seus paradigmas pós-Finleynianos.
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O ensino de “classics”: uma luz no fim do túnel?
Lá no Guardian, um interessante artigo de Charlotte Higgins, comentando algumas apresentações da Classical Association. O artigo é interessante, e os comentários no final também, mesmo quando contrários à idéia de que aprender grego e latim na escola é importante (alguns deles fazems sentido). Eu não acho que o estudo de línguas antigas deva ser obrigatório no Brasil, mas seria interessante, se crianças tivessem a oportunidade de saber algo mais sobre o assunto e até aprender um pouco. Por vários motivos: porque Tucídides e Tito Lívio são excelente literatura e história, porque isso ajudaria a combater nossa insularidade linguística, e porque Latim e Grego são tão úteis para o brasileiro quanto logaritmos e química orgânica.
Uma coisa que o artigo diz, no entanto, merece ser citado aqui:
“As the classics professor Richard Seaford pointed out at the Glasgow conference, in 2009 there are more university departments devoted to the subject, more students, more conferences and more productions of Greek plays in the UK than there were 100 years ago. This is not to mention the web, which has transformed access to ancient texts and academic materials. There is even a Roman villa in Second Life, where Latin is spoken. And there are, believe it or not, teachers who tweet students their Latin tests. ”
Pois é. E agora vêm aí versões para o cinema de A Odisséia, a conquista romana da Escócia, e é claro a refilmagem do clássico Clash of the Titans!
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Lex de imperio vespasiani
Durante minha última visita a Roma, vi que o fragmento de bronze contendo a assim chamada Lex de imperio Vespasiani estava sendo restaurado. Isso é uma pena, porque na mesma época estava rolando a exposição dedicada a Vespasiano, da qual falei abaixo. Para quem é interessado em imperadores romanos, especialmente depois de Nero, esse é um objeto imperdível.
Esse fragmento de bronze foi encontrado em Roma no século XIV, por ninguém menos do que Cola de Rienzo, o romano que se insurgiu contra o controle dos papas e da aristocracia corrupta da cidade e se declarou tribuno da plebe até ser primeiro exilado e depois executado. O texto inscrito nesta tábua recorda a segunda parte de um decreto feito pelo Senatus populusque Romanus (o senado e o povo de Roma), conferindo alguns poderes ao novo imperador Vespasiano, e é datado de Dezembro de 69. O texto foi usado por Cola di Rienzo como um argumento para dizer que na antiguidade o povo de Roma era responsável pela escolha do imperador, e o poder deste vinha daquele – uma teoria interessante, porém errada.
Existe um grande debate sobre este documento, infelizmente nada em português. Existe um verbete na wikipedia alemã, mas o artigo razoavelmente recente mais importante sobre o assunto ainda é o de Peter Brunt, no Journal of Roman Studies de 1977. Brunt argumentou que a Lex de imperio era um decreto do Senato (senatus consultum): estes eram normalmente uma resposta do senado a uma questão colocada por um magistrado, por exemplo o imperador. Inicialmente tinham valor apenas indicativo, mas normalmente eram considerados geradores de efeito jurídico. Segundo Brunt, mostrava que apesar de deterem enormes poderes os imperadores do século I d.C. ainda se esforçavam por manter a aparência de que governavam com o consenso do mundo político. O texto foi publicado em CIL VI, 930. O texto original pode ser encontrado, com uma tradução e curto comentário, aqui.